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Mostrando postagens de setembro, 2023
  CRÔNICA OFICINA DAS HORAS                    Ao passar férias na casa dos meus avós paternos em Caruaru, eu me quedava a admirar a faina diuturna a que se dedicava o meu ancião avô. Na minha imaginação infantil, ele deveria ter bem mais de oitenta anos, pela percepção do seu aspecto sisudo, do seu mutismo e do seu lento esforço para atravessar o pequeno quintal da casa até a rústica oficina de funileiro que mantinha há tempos, com o corpo diminuído pelo encurvamento espinhal próprio aos muito velhos. Além de frequentar com assiduidade as missas de domingo ministradas na igreja catedral da cidade, todo o seu interesse era reservado unicamente à prática do ofício da funilaria, que a fazia por prazer, não por obrigação qualquer; dia após dia, desde depois do café logo cedo até ser chamado para o almoço pela avó. A percepção que ele deixava transparecer era que aquela oficina era o seu derradeiro mundo, a que ele se empregava ...